No caderno de Economia do Estado de São Paulo, saiu esta semana uma máteria do advogado Dr. Antonio Penteado Mendonça, falando sobre os eventos de origem climática que causaram destruição em cidades como Angra, São Luís do Paraitinga e Cunha e como as coberturas de seguro para estes eventos é virtualmente impossível.

Conforme parecer do autor, a razão dessa impossibilidade está na concentração do potencial dano em determinadas regiões e o interesse apenas dos consumidores desta região, o que compromete o princípio da mutualidade, inerente a atividade de seguro, e a precificação das apólices.

Como corretor de seguros concordo plenamente com a concentração de riscos e a quebra do mutualismo pela concentração de interesse nas regiões de risco. Porém, pensando como consumidor, como ficam os seguros residenciais? Ficam sem cobertura mesmo?

Neste tipo de seguro a cobertura básica é incêndio. Muitas pessoas fazem seguro de residência preocupando-se com cobertura para furto e roubo, e esses seguros são comercializados em todo Brasil. Não sei ao certo como são precificados, acredito que as seguradoras devem considerar o risco da região (principalmente estatísticas de furto e roubo), porém, diluindo nacionalmente.

Um exemplo claro é um bilhete residêncial do Bradesco, que não oferece cobertura de roubo/furto, mas que tem cobertura, além de incêndio, contra outros eventos naturais. Neste caso, onde o mutualismo está principalmente nas agências, não há a possibilidade de cobertura?

Não pode haver no seguro residencial uma cobertura “compreensiva” onde a seguradora pudesse “desconcentrar” esse risco para regiões que não tivessem esse risco…?

Voltando ao exemplo do Bradesco, esclareço que não comercializo mais seu seguro residencial pois o produto está “casado” ao desconto no seguro de automóvel. Agora, aumenta minha preocupação com a responsabilidade civil do corretor de seguros ao pensar se algum colega de Angra ou São Luís do Paraitinga, vendeu esse produto para conceder o desconto no auto e como vai ficar em frente à um segurado que perdeu o carro e a casa e acha que tem seguro dos dois? Como ficamos se o cliente questionar a venda desse produto se o ônus da prova é invertido, se a responsabilidade é objetiva?

Devemos aproveitar a época e as situações não apenas pensando em aumentar as vendas (já que há exemplos claros da necessidade de proteção), como também informar, deixar claro ao segurado quais eventos estão cobertos e quais não estão.

Afinal, Mesmo com a comoção social envolvida, duvido que as seguradoras estejam dispostas a assumir tanto sinistro…